segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A ARTE DE SER FELIZ

Cecília Meireles

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.

Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

UMA IMAGEM QUE DIZ MUITO...

"Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo"
(Paulo Freire)

A figura apresentada foi retirada do livro"Cuidado, escola!", de HARPER, Babette et al. Editora Brasiliense, 1980

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

EU SEI, MAS NÃO DEVIA

Marina Colasanti


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.



Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.





segunda-feira, 4 de outubro de 2010

UM TEXTO PARA MUITAS LEITURAS


“A leitura do mundo precede a leitura da palavra”
 (Paulo Freire)

Acredito que quando Paulo Freire fez esta consideração, possivelmente, quis instigar que cada leitor pudesse fazer uma introspecção da sua própria história sob um traçado mais profundo e provocador.

Pensar no que está posto é muito fácil, pois já está ali, escrito e não é necessário fazer muito esforço, entretanto quando a proposta é fazer uma leitura que seja conduzida para um caminho mais analítico, inspirando o entendimento de confronto que está nas entrelinhas, pode ser dolorido... Acredite!

Muitas pessoas têm medo de entender o que está além das palavras, pois isso induz mudança, requer reflexão e acarreta a empregabilidade de um pensamento crítico. Mas “o quê” ou “em quê” isso pode mudar o rumo da minha história ou do meu caminho? É simples... Basta pensar no que acontece enquanto me esquivo no meu cantinho e me recuso a admitir que faço parte de algo muito maior do que o “fabuloso” mundo daquilo que vejo todos os dias. É, crescer é mais perigoso do que parece!

A leitura de tudo que ocorre e das coisas com as quais convivo, exige algo que ultrapassa o simples “juntar” de palavras, fatos ou ideias, é necessário ser crítico. E isso não induz pensar que será fácil expor o que sinto ou penso de maneira a discordar do mundo simplesmente, mas da forma como devo rever meus conceitos e compreender que muito do que é inevitável mudar, deverá partir inicialmente de dentro de mim. Para quem pensa que falo de utopias, faço um desafio: pare de acreditar em tudo que lê, pelo simples fato de ter sido escrito por alguém de grande prestígio literário ou jornalístico e a partir daí, construa seu próprio texto, sua própria história sem perder a visão da sensibilidade e do respeito ao outro.

Ter entendimento daquilo que gira ao nosso redor, requer que saibamos usar nossos sentidos, portanto saboreie cada palavra e faça a degustação sem pressa, a fim de que a digestão seja perfeita, suave e sem surpresas; aprenda a escutar, pois o silêncio ensina muito mais que a auditiva de grandes discursos; quem escuta bem, torna-se um exímio observador e pondera em cada movimento a resposta para os mais abruptos questionamentos; “pegar no ar” exprime ser perspicaz e aprender a ser mais rápido que as adversidades; por fim, sinta o cheiro daquilo que realmente está perto de você, não seja complacente com a situação, respire as oportunidades e trace suas próprias metas.

Parece complicado, não é?! Mas, quem disse que a nossa estada por aqui seria fácil? Então, aprenda a ter vontade de que o mundo seja melhor, fazendo uma breve co-relação com o célebre poema de João Cabral de Melo Neto “um galo sozinho não tece a manhã: ele sempre precisará de outros galos” e faça disso o início de uma história surpreendente, menos egoísta e capaz de descrever com ousadia um novo traçado chamado: ESPERANÇA.

Pense: “Oportunidade é diferente de oportunismo” e quem sabe não é a partir desta análise que será possível compreender o real sentido da palavra reflexão.

(Texto de Odelízia Oliveira)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

FORMAÇÃO DE EDUCADORES




ZANETTI, Maria Aparecida. Reflexões sobre a Formação de Educadores de Jovens e Adultos em Redes de Ensino Públicas. In: MACHADO, Maria Margarida (org.). Formação de Educadores de Jovens e Adultos: II Seminário Nacional. Brasília: Secad-MEC/Unesco, 2008.

As reflexões da pedagoga Maria Aparecida Zanetti sobre a formação de educadores de jovens e adultos têm como referência os textos apresentados por Miguel Arroyo e Vera Barreto no I Seminário Nacional sobre Formação de Educadores de Jovens e Adultos, além da sua própria experiência como coordenadora da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede pública estadual do Paraná, entre 2003 e 2006.
Segundo a autora, o diálogo sobre a educação de jovens e adultos em redes de ensino pode ser tenso e intenso, visto que formas curriculares flexíveis, com sugestão de maneiras organizativas diferenciadas e não padronizadas, intensificam as tensões para a manutenção da tradição organizativa e curricular instalada nas chamadas escolas regulares seriadas. Zanetti ressalta que os limites e as possibilidades de gestar novas relações pedagógicas devem considerar as especificidades dos diferentes públicos demandantes da educação.
A autora afirma que a educação de jovens e adultos enfrenta preconceitos e ignorâncias por fugir às regras da educação regular. O seu público está fora da faixa etária para a qual a oferta de educação é obrigatória e gratuita, bem como exige dos sistemas respostas organizativas diferentes para a sua incorporação aos processos de escolarização. Assim, o trabalho pedagógico em EJA deve considerar os conhecimentos adquiridos pelos estudantes nas suas histórias de vida.
Conforme Zanetti, o processo educativo em EJA deve ser dialético, considerando que educadores e educandos são sujeitos do ato de conhecimento. Esse processo é criador, crítico e demanda o exercício de uma disciplina intelectual séria, sem se realizar, porém, por meio de atos mecânicos e autoritários.
Com relação aos processos formativos de educadores de EJA, a autora diz que passam obrigatoriamente por desnaturalizar a reprovação e a evasão dos processos escolares. Na avaliação de Zanetti, esses rituais são perversos e castigam os excluídos, que devem ser considerados sujeitos de direitos.
A autora relata em seu texto que a proposta pedagógico-curricular implementada pela rede pública estadual de EJA do Paraná buscou atender as características da educação de jovens e adultos, a fim de permitir aos educandos percorrerem trajetórias de aprendizagem não padronizadas, respeitando o ritmo próprio de cada um no processo de apropriação dos saberes, bem como suas histórias de vida e seus conhecimentos. Também se buscou distribuir o tempo escolar a partir do tempo disponível do educando-trabalhador, tanto na organização diária das aulas quanto no total de dias previstos na semana.
De acordo com Zanetti, embora a proposta curricular tenha características que possibilitam o retorno e a permanência dos jovens, adultos e idosos na escola, ainda há muito o que avançar para além da ideia de disciplina e de conteúdos escolares. Segundo a autora, a forma como o conhecimento está selecionado, hierarquizado, ordenado e sequenciado no ensino regular não é a mais adequada para a EJA.
O texto ressalta que pensar um tempo curricular para a EJA, diferente do estabelecido para o ensino regular, não é considerá-lo uma formação menor e ligeira. Quando a referência para o tempo curricular e as estratégias metodológicas na EJA são aquelas vinculadas ao modelo da chamada escola regular, as conclusões sobre as escolas de EJA são, conforme Zanetti, não raro, um olhar preconceituoso.
A autora aponta dois desafios para os sistemas educacionais em relação à construção de alternativas efetivas para o público da EJA: ver suas trajetórias sócio-étnico-raciais, urbanas ou do campo, ao invés de suas trajetórias escolares incompletas a serem supridas; garantir o acesso, a permanência e o sucesso na sua continuidade da escolarização.
Outra reflexão importante levantada por Zanetti diz respeito à verdadeira formação dos educadores de EJA. Segundo a autora, para que a formação seja realmente formação, e não instrução ou treinamento, é fundamental a constituição de coletivos de educadores de EJA, com espaços e tempos garantidos para que isso ocorra diante das especificidades dessa modalidade de ensino.
Considerando que nas redes de ensino públicas é muito grande a presença de educadores atuantes no ensino regular e que na maioria dos cursos de licenciaturas não há uma abordagem da educação de jovens e adultos, a autora entende que ainda há muito a ser feito em termos de formação em EJA.
A autora do texto é professora do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná e membro do Fórum Paranaense de EJA. Suas reflexões servem de base para discussões importantes sobre a formação de educadores de jovens e adultos e sobre essa modalidade de educação.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS




BARRETO, Vera. Formação permanente ou continuada. In: SOARES, Leôncio (org.). Formação de Educadores de Jovens e Adultos. Belo Horizonte: Autêntica/Secad-MEC/Unesco, 2006.


O texto de Vera Barreto fala de uma perspectiva diferente da prática da formação inicial e da formação permanente no processo de formação de educadores de jovens e adultos. A autora aponta algumas aprendizagens adquiridas ao longo de sua caminhada como pedagoga, em especial no trabalho desenvolvido no Vereda – Centro de Estudos em Educação, na formação de educadores, principalmente dos que atuam na educação de jovens e adultos (EJA).
Segundo a autora, especializada em orientação educativa, a formação inicial é a primeira etapa do processo, desenvolvida em uma ou duas semanas, tempo suficiente para que os educadores se sintam capazes de enfrentar as semanas iniciais de aula e obtenham conhecimentos fundamentais para seu trabalho.
A formação permanente, que começa na segunda quinzena de trabalho, é fundamental conforme Barreto, pois é quando o educador analisa a sua prática com seus colegas, o formador e os autores de textos, processo que o ajuda na melhor compreensão do que faz e o anima na busca de formas mais adequadas e eficazes de fazer.
Para a autora, talvez a maior vantagem da formação permanente é o fato de ela acontecer com educadores que exercem seu papel em sala de aula e, portanto, enfrentam questões objetivas e reais que exigem deles respostas nem sempre fáceis. Esses educadores sentem a necessidade de melhorar seu desempenho profissional, desejo que caracteriza o primeiro elemento para um trabalho de formação, de acordo com Barreto.
No texto, a autora destaca seis aprendizagens quanto ao processo de formação de educadores:
1 – Toda formação deve visar à mudança da prática do educador. Neste ponto, Barreto ressalta que os educadores devem ser estimulados a se tornarem produtores autônomos de suas práticas, ao invés de meros executantes de receitas pedagógicas bem-sucedidas. A autora afirma que o trabalho de formação exige que o educador se reconheça como detentor de certa teoria em relação ao seu trabalho.
2 – A mudança da prática do educador só é possível quando existe uma mudança no conjunto de representações que sustentam o seu trabalho de educador. Na análise de Barreto, essa mudança teórica se inicia quando o educador percebe que a sua própria ação se apoia em uma série de representações ou teorias e as identifica, o que torna possível estimular o diálogo entre as diversas teorias e as trocas de experiências, que contribuem para a mudança da forma de agir de cada educador.
3 – Sem se tornar um processo permanente, a formação pode muito pouco. A autora considera a análise das práticas dos educadores como eixo central da formação permanente, que não pode ser substituída pela realização de eventos isolados e pontuais de formação.
4 – É equivocada a crença de que é necessário aprender antes para fazer depois. Aprendemos fazendo se pensarmos sobre o que estamos fazendo. Conforme Barreto, são nas situações de sala de aula que muitos dos conteúdos do período de formação passam a ter significado, levando os educadores a buscar soluções para elas.
5 – A metodologia usada na formação precisa necessariamente ser a mesma que está sendo proposta aos educadores. A autora sustenta essa afirmação na crença de que a experiência é muito mais significativa que a fala ouvida. Dessa constatação, surge a necessidade de manter a coerência entre a prática e as reflexões desenvolvidas.
6 – A formação permanente, que se constitui como espaço privilegiado de reflexão da ação dos educadores tendo em vista à melhoria dessa ação, é um processo exigente. Entre as exigências desse processo, a autora destaca: a) é preciso obter a cumplicidade do educador; b) é preciso contar com formadores que, além de ter competência no fazer pedagógico, sejam competentes na condução e estimulação do grupo; c) o trabalho de formação demanda tempo; d) a formação exige espaço e horário bem definidos.
O texto traz questões importantes advindas da própria experiência da autora, que devem ser consideradas em processos de formação de educadores de jovens e adultos, contribuindo para o êxito da prática pedagógica na EJA.

UM PASSEIO POR PIRI


Nos meados do século XVIII, nasce em Goiás a Cidade Meia Ponte, nome inspirado de uma enchente que levou parte da ponte do Rio das Almas. Mais tarde, Pirenópolis, nome que surge da homenagem aos Pireneus, aparece fazendo alusão à mineração do ouro, comércio e agricultura.
A maior riqueza ainda estava por ser descoberta: a paisagem do cerrado. São tantos os encantos que a sensação aparente é de que estamos diante uma tela repleta dos mais variados tons de verde.
A cidade, outrora escondida nos caminhos de Goiás toma forma e mostra que tem autonomia para gerenciar suas riquezas e explorar o encanto daqueles que a veem de forma singular e superficial. No meio das fazendas e das belas cachoeiras brota, sem nenhuma timidez, o convite para conhecer a história que não se conta em palavras, surgindo dos passos sem pressa dos turistas e da culinária que encanta o paladar dos mais exigentes cheffs.
Pelas ruelas cheias dos mais variados atrativos é quase impossível não esbarrar com um brasiliense à procura de sossego nos braços da hospitalidade de Pirenópolis. E quem pensa que neste “pedaço de Goiás” encontra-se apenas o ecoturismo, engana-se! A diversidade cultural é muito significativa, passando pelo folclore regional das Cavalhadas, Festa do Divino e enveredando pelos festivais de Literatura, Gastronomia, Jazz e o Canto da Primavera.
Em Pirenópolis os encantos afloram de todos os lados, seja das notas destoadas da simples flauta do mambembe até o som das águas que brotam das cachoeiras.
Tudo ali, inspira o encanto de quem traz no olhar a perspectiva da imagem de algo que não se explica...


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

NAÇÃO RUBRO-NEGRA DA ESCOLA TÉCNICA DE CEILÂNDIA

Dezessete anos de espera e um grito preso na garganta: campeão!!! Ou melhor, HEXAcampeão...
O Flamengo entra em campo, diante de 90 mil torcedores e um só coração batendo cheio de emoção. A massa desenhada em vermelho e preto dita o ritmo do jogo incentivando o grupo rumo à tão sonhada conquista.
O jogo começa e por um momento não há como identificar “pessoas” naquele lugar, o movimento sincronizado da torcida lembra um mar rubro-negro de gente ... São 90 minutos que nos separam do sonhado título e, logo no início sentimos que não vai ser fácil.
A torcida grita, canta e incentiva... Mas, num lance de escanteio o Grêmio faz o primeiro gol da partida. O Maracanã fica mudo e o mar de gente parece não acreditar que a bola foi parar no fundo do gol. Em contraste, no Estádio Beira-Rio a torcida do Colorado vai ao delírio, afinal um tropeço do Flamengo daria a eles o título.
O jogo fica tenso... E os resultados combinados não favorecem o Mengão que chega a ficar em terceiro lugar...
Adriano não consegue espaço para jogar, Petkovic parece não ter mais forças e é quando de um momento inesperado a bola sobra nos pés de David, que marca... A galera no Maraca não economiza no grito de gol e o estádio vibra, literalmente, sinalizando que até o grande monte de concreto não consegue conter a emoção.
Mas só o empate ainda era pouco... De todos os concorrentes diretos, o Flamengo era o único que não precisava de combinação de resultados para ser campeão.
Show do intervalo, quantos gols mostrados e o “sobe-desce” dos times parece lembrar um grande balé do futebol... A torcida do Inter faz festa... A taça parece estar ao alcance de outras mãos...
O Flamengo volta, a torcida empurra o time e é hora dos jogadores honrarem a camisa. Faltas, jogo duro, escanteios... Espere um momento, a palavra foi escanteio? Pois é... Petkovic corre para a cobrança, alguns apostam na cabeçada de Adriano e outros num gol olímpico, mas a bola não quis dar direção a nenhum deles e é quando timidamente o pequeno Ronaldo Angelin aparece e coloca a bola no canto esquerdo do goleiro. Nas muitas voltas que o munda dá, o destino quis que o jovem rapaz que teve um risco iminente de ter a perna amputada por conta de uma lesão fosse o autor do gol que levaria o seu time ao título... Era ele que estava ali, não só para dar o título ao Flamengo, mas para ser o escritor da sua superação.
O Maracanã explode!!! O choro surge de todos os semblantes e o grito reprimido há tantos anos é ecoado em todo o território nacional.
Aos 48 minutos do segundo tempo o paradoxo acontece: termina o jogo para iniciar a grande festa. Andrade e sua equipe “lavam a alma” da grande torcida e os agradecimentos surgem de lágrimas, gritos, euforia...
O Brasil se torna uma grande Babel de emoções que fluem de todos os lados...
Neste dia 06 de dezembro de 2009, a palavra HEXACAMPEÃO passa a ter um significado peculiar no dicionário rubro-negro: conquista histórica.
(Texto de Odelízia Oliveira)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

REFORMA ORTOGRÁFICA


"Chega mais perto e contempla as palavras.Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível que lhe deres:Trouxeste a chave?"
(Carlos Drummond de Andrade)
O que muda com a reforma da língua portuguesa


da Folha de S.Paulo
Veja abaixo quais são as mudanças.

HÍFEN
Não se usará mais:1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"


TREMA

Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados



ACENTO DIFERENCIAL

Não se usará mais para diferenciar:1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)


ALFABETO

Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"


ACENTO CIRCUNFLEXO

Não se usará mais:1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"


ACENTO AGUDO

Não se usará mais:1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem


GRAFIA

No português lusitano:1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O QUE AS ESCOLAS NÃO ENSINAM!


Aqui estão alguns conselhos que Bill Gates recentemente ditou em uma conferencia numa escola secundária sobre 11 coisas que estudantes não aprenderiam na escola. Ele fala sobre como a “política educacional de vida fácil para as crianças” têm criado uma geração sem conceito da realidade, e como esta política têm levado as pessoas a falharem em suas vidas posteriores à escola. Muito conciso, todos esperavam que ele fosse fazer um discurso de uma hora ou mais…Bill Gates falou por menos de 5 minutos, foi aplaudido por mais de 10 minutos sem parar, agradeceu e foi embora em seu helicóptero a jato…
Regra 1: A vida não é fácil: – acostume-se com isso.
Regra 2: O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.
Regra 3: Você não ganhará R$20.000,00 por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.
Regra 4: Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.
Regra 5: Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam oportunidade.
Regra 6: Se você fracassar não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.
Regra 7: Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar o seu próprio quarto.
Regra 8: Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até aceitar. Isto não se parece absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido…, RUA!!!!! Faça certo da próxima vez!
Regra 9: A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.
Regra 10: Televisão NÂO é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o Barzinho ou a boate e ir trabalhar.
Regra 11: Seja Legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir trabalhar PARA um deles.
Texto por: Professor Francisco Manoel

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A VISÃO DA CASA DA PONTE



"Não sei... se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas"

Cora Coralina


Às margens do Rio Vermelho está a velha casa da ponte. Lá, por muito tempo, viveu a mulher que quebrou paradigmas e ensinou aos descrentes a arte de desafiar o tempo.
É uma casa humilde e bem aos moldes de qualquer outra, salvo por um simples detalhe: foi o cenário da história de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas, ou simplesmente: Cora Coralina.
O passeio é um convite a reviver com singularidade o engenho da transformação... O doce feito em grandes tachos dá sabor aos poemas que encantarão escritores famosos e toda uma geração dos mais variados estilos literários.
Enquanto nos grandes palácios a visita se inicia pelos salões da corte, na casa de Aninha a conversa começa na cozinha, perto do batente da porta, ao lado do fogão à lenha e dos grandes tachos de cobre. Neste cenário é possível compreender a inspiração singular que trouxe a uma doceira o título de “Cora dos Goiases”.
Na sala simples de chão irregular, vê-se uma pequena poltrona onde a poetisa recebia os amigos e apreciadores dos seus escritos. A foto do pai na parede desgastada revela a admiração da filha que ele não teve tempo de conhecer, mas que muitos, embora de forma tardia o fizeram com a honra devida.
Por um momento é possível fechar os olhos e imaginar que, a qualquer instante, aquela senhora de simpatia incomparável irá te convidar para que a prosa se estenda pelo terreiro, perto da fonte que nasce dentro do porão e corre sem pressa pela calha de madeira. A realidade se faz presente e os olhos voltam para o busto de barro batido que fica no parapeito da janela do quarto, servindo de alento ao coração daqueles que não conheceram de perto a beleza da mulher guerreira e ousada que imprimiu nos becos de Goiás a esperança envolta ao cenário da história.
A mesma Aninha que tomava banho no Rio Vermelho com as crianças e pintava as unhas causando escândalo aos tradicionais da época, era também a dona de uma biblioteca de acervo raro, títulos e do último prato azul-pombinho da família.
O passeio se encerra diante da porta de entrada, onde Cora se despede mais uma vez dos seus visitantes... Mas ao atravessar a ponte e olhar seu busto na janela fica a sensação de alguém que se despede e já sente saudade das boas coisas compartilhadas num breve momento de contemplação.

(Texto de Antonio Cordeiro - escrito às margens do Rio Vermelho/Cidade de Goiás em 02.05.2009)

terça-feira, 28 de abril de 2009

A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL


A Educação Profissional destaca-se como um fator estratégico de competitividade e desenvolvimento humano na nova ordem econômica mundial.
Os desafios estão relacionados aos avanços tecnológicos e às novas expectativas das organizações que, agora, enfrentam mercados globalizados, extremamente competitivos. Com isso, surgem também novas exigências em relação ao desempenho dos profissionais.
Dessa forma, a educação não poderia ficar alheia a essas transformações, passando a oferecer cursos que favoreçam a perspectiva de melhoria na qualidade de vida e facilitem o acesso de jovens e adultos ao mercado de trabalho.
O cidadão que procura uma oportunidade de se qualificar ou habilitar-se por meio de cursos da Educação Profissional, quer sejam eles de Formação Inicial e Continuada ou de Educação Profissional Técnica de Nível Médio, está, na realidade, em busca do conhecimento para o aprimoramento de suas atividades.

terça-feira, 14 de abril de 2009

UM DIA VOCÊ APRENDE...


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais você se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vemos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, e nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que se pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. Você aprende que realmente pode suportar porque realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar...

Shakespeare

segunda-feira, 16 de março de 2009

A ALEGRIA DE ENSINAR


"Ensinar é um exercício de imortalidade.

De alguma forma

continuamos a viver

naqueles cujos olhos

aprenderam a ver o mundo

pela magia da nossa palavra

O professor, assim, não morre

jamais..."

(Rubem Alves)

domingo, 8 de março de 2009

PROJETOS DOS ALUNOS DA ESCOLA TÉCNICA DE CEILÂNDIA


Sou professora de PORTUGUÊS TÉCNICO na Escola Técnica de Ceilândia - ETC. Uma eterna apaixonada pela profissão e por tudo que vejo se materialzar quando meus alunos põem a "mão na massa" e fazem as coisas acontecerem.
Estou muito feliz com trabalho desenvolvido pelos alunos dos cursos TÉCNICO EM INFORMÁTICA E TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO. Eles promovem debates, seminários e não se intimidaram em construir um blog para compartilhar os trabalhos desenvolvidos na escola.
Esta profissão é mais que ensinar e aprender a todos os instantes e isso não se pode mensurar em palavras, portanto posso dizer apenas que ver a dimensão deste trabalho sendo desenvolvido pelos meus alunos é o motivo maior do meu orgulho de ser PROFESSORA.
Meus alunos, vocês são os "Reis Midas" das minhas aulas!!!

LITERATURA DE CORDEL


Literatura de Cordel é uma espécie de poesia popular que é impressa e divulgada em folhetos ilustrados com o processo de xilogravura. Também são utilizadas desenhos e clichês zincografados. Ganhou este nome, pois, em Portugal, eram expostos ao povo amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas.
A literatura de cordel chegou ao Brasil no século XVIII, através dos portugueses. Aos poucos, foi se tornando cada vez mais popular. Nos dias de hoje, podemos encontrar este tipo de literatura, principalmente na região nordeste do Brasil. Ainda são vendidos em lonas ou malas estendidas em feiras populares.De custo baixo, geralmente estes pequenos livros são vendidos pelos próprios autores. Fazem grande sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Este sucesso ocorre em função do preço baixo, do tom humorístico de muitos deles e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades etc.Em algumas situações, estes poemas são acompanhados de violas e recitados em praças com a presença do público.Um dos poetas da literatura de cordel que fez mais sucesso até hoje foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Acredita-se que ele tenha escrito mais de mil folhetos. Mais recentes, podemos citar os poetas José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva), Téo Azevedo. Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei e Ignácio da Catingueira.Vários escritores nordestinos foram influenciados pela literatura de cordel. Dentre eles podemos citar: João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.Literatura Oral Faz parte da literatura oral os mitos, lendas, contos e provérbios que são transmitidos oralmente de geração para geração. Geralmente, não se conhece os autores reais deste tipo de literatura e, acredita-se, que muitas destas estórias são modificadas com o passar do tempo. Muitas vezes, encontramos o mesmo conto ou lenda com características diferentes em regiões diferentes do Brasil. A literatura oral é considerada uma importante fonte de memória popular e revela o imaginário do tempo e espaço onde foi criada.Muitos historiadores e antropólogos estudam este tipo de literatura com o objetivo de buscarem informações preciosas sobre a cultura e a história de uma época. Em meio a ficção, resgata-se dados sobre vestimentas, crenças, comportamentos, objetos, linguagem, arquitetura etc.

MOMENTO COM DAD SQUARISI


A I FLIPIRI contou com a presença da escritora Dad Squarisi que promoveu um debate para solucionar dúvidas sobre o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.
Com grande simpatia não se furtou em atender um pedido da "colega das letras" e autografou a sua mais recente obra " "Mais Dicas de Português".

I FESTA LITERÁRIA DE PIRENÓPOLIS


“Escrever é fácil: você começa com uma letra Maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as idéias.” Pablo Neruda.


De 12 a 15 de fevereiro aconteceu a primeira edição da FLIPIRI - Festa Literária de Pirenópolis. A festa reuniu atividades e oficinas ligadas à literatura como: contação de histórias, bate-papo com escritores e oficinas de produção de texto, além de apresentações de espetáculos teatrais e leituras dramáticas, mostras cinematográficas, shows musicais e ponto de encontro com Café Literário. Como grandes homenageados desta primeira edição da Festa oportunizou a presença do escritor Ignácio de Loyola Brandão, vencedor do prêmio Jabuti/2008 na categoria ficção e uma homenagem póstuma em reconhecimento ao valioso trabalho da escritora e fundadora da APLAM - Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música, Maria Eunice Pereira e Pina.Nos quatro dias de Festa, a FLIPIRI ocupou importantes pontos de divulgação cultural no Centro Histórico de Pirenópolis - a Casa de Câmara e Cadeia de Pirenópolis, que abrigou um Ponto de Encontro, contações de histórias, bate-papos com escritores, uma livraria e o Café Literário; e o Cine-Teatro Pirineus, onde também aconteceram bate-papos com escritores, contações de histórias, além das mostras cinematográficas, apresentação de espetáculos teatrais e leituras dramáticas.

E como apreciadores do que realmente faz a vida valer... Eu e Antonio Cordeiro fomos conferir de perto uma mágica de muitas facetas chamada LITERATURA.
Foi bom demais!!!
Até a próxima FLIPIRI...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O GIGOLÔ DAS PALAVRAS



"Sou um gigolo das palavras. Vivo às suas custas (...) As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito. Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolo que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido (...) Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa de apanhar todos os dias para saber quem é que manda."

(Luís Fernando Veríssimo)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

PRECONCEITO LINGUÍSTICO


Marcos Bagno fala muito bem acerca do que se refere ao Preconceito Linguístico. O Curso ministrado pelo CFORM/UnB – Fascículo 5 tem uma história interessante que vale compartilhar, não chega a ser uma aula, mas uma lição de como repensar nossas atitudes enquanto educadores.

Retratos de sala de aula

Numa escola de periferia de uma grande cidade brasileira, a avó de um aluno aparece à porta da sala de aula, meia hora antes do final do turno, e se dirige nestes termos à professora:
“- Dá licença, dona Cráudia, meu nome é Regina, eu sou avó do Pedro. Me perdoa por atrapaiá a aula, mas é que o Pedro tem hora marcada agora no médico, lá no Hospitá das Crínica. Tem dois mês que ele ta se quexano dumas dô no juêi, umas dô que apareceu depois dum jogo de bola, e nós só conseguiu marcá pra hoje de manhã. Esses menino vive dano trabaio pra nós, num é? A mãe dele pediu pra mim levá ele, porque nem ela nem o pai dele não pode largá o serviço.
A professora faz um gesto de permissão com a cabeça, o aluno se retira com a avó. Depois que eles se afastam, a professora se volta para a classe e diz:
- Viram por que vocês precisam vir pra escola? É pra não falar tudo errado feito a avó do Pedro.”

Quando um brasileiro morador de zona urbana e com alto nível de escolarização escuta outra pessoa falar de um modo parecido com o de D. Regina, a reação mais provável é pensar que essa pessoa fala “tudo errado”.
Essa reação, esse tipo de julgamento, acontece em todos os lugares do mundo, em todas as comunidades lingüísticas. Em qualquer sociedade humana, existe sempre um grupo de pessoas que acredita que seu modo de falar é mais “certo” que o dos outros grupos que compõem aquela sociedade.
Durante muito tempo (e em boa medida, até hoje, como nos mostra a reação da professora de Pedro), o ensino de português no Brasil foi orientado por esse jeito de ver os fatos de língua, por essa crença na existência de uma única “língua certa”, usada por uma minoria, que se destaca da massa dos que “falam tudo errado”. Felizmente, nos últimos anos, essa concepção de língua e do papel da escola vem passando por mudanças importantes e positivas, graças ao trabalho dos pesquisadores que se dedicam ao estudo das relações entre língua e sociedade e à investigação do impacto dessas relações nas práticas pedagógicas. (Alfabetização e Linguagem – Fascículo 05, pág. 8)

Diante de tais considerações fica a rica lição que a professora do Pedro teve em poder desmistificar o preconceito lingüístico, podendo salientar que o indivíduo pode interferir no contexto por intermédio do letramento (a leitura do mundo). Que o alfabetizado lê ou ”junta letras”, mas o letrado transcende as letras, não precisa, necessariamente, dominar a língua padrão.
O papel da escola e do professor não é estabelecer noções de ‘certo ou errado’, nem substituir o vernáculo por uma norma culta, mas dar outras oportunidades de manifestação da língua, grande prova disso é a oportunidade de estudar literatura de cordel, Patativa do Assaré e outras tantas formas de cultura da nossa rica língua.
A forma como o aluno se expressa deve ser cuidadosamente respeitada pelo professor, pois isso pode gerar constrangimento e criar uma barreira para o resto da vida acadêmica.
“O caminho é um só, o que muda é o jeito de caminhar” e a maior lição é dar ao nosso aluno a oportunidade de ascender socialmente e ser uma “ferramenta” para um mundo melhor.